A presença de 78 estúdios e empresas brasileiras na gamescom 2026, em Colônia, é uma das maiores demonstrações recentes de força do setor nacional fora do país. Organizada pelo Brazil Games, iniciativa da Abragames em parceria com a ApexBrasil, a delegação chega à feira com uma missão que vai além de exibir trailers: encontrar publishers, investidores, prestadores de serviço e parceiros de distribuição.
A novidade mais visível é o Brazilian Indie Pavilion, espaço dedicado a 35 jogos e a equipes em diferentes estágios de desenvolvimento. O formato importa porque dá escala coletiva a criadores que, individualmente, teriam dificuldade para disputar atenção em um evento dominado por grandes marcas. Em vez de cada estúdio procurar uma porta de entrada isoladamente, o pavilhão constrói uma vitrine reconhecível para o país.
Mas participar de uma feira internacional não é sinônimo automático de vender um jogo. A gamescom concentra reuniões B2B, negociações de publicação e conversas sobre localização, marketing e plataformas. Para um estúdio pequeno, o retorno pode vir meses depois, na forma de uma demonstração enviada a um parceiro, um contrato de coprodução ou uma relação comercial que continua em outras feiras.
O Brasil tem diversidade criativa, profissionais competitivos e repertório cultural próprio, mas ainda enfrenta obstáculos conhecidos: capital de risco limitado, crédito pouco adaptado ao ciclo longo de desenvolvimento e dificuldade de manter equipes depois do primeiro projeto. A exportação ajuda a diluir parte dessas barreiras, desde que seja acompanhada de estratégia de negócios e não apenas de presença institucional.
A pergunta certa, portanto, não é se o Brasil já chegou ao mercado internacional, mas como transformar presença em permanência. Uma delegação numerosa abre portas e amplia a conversa; a consolidação depende de contratos, propriedade intelectual valorizada e políticas contínuas. Se a gamescom gerar essa sequência, os 78 estúdios serão mais que um número: serão uma infraestrutura de futuro.



